Em 05 de abril de 2014, Vicente Ferreira Pastinha (1889 - 1981), o Mestre Pastinha completou 125 anos de existência entre nós. Embora sua partida do mundo material tenha se dado em 1981,a presença de sua ânima continua a atuar, impulsionando a luta pela valorização dos elementos historicamente negados de nossa cultura. Trocando em miúdos... Nossas Africanidades.
Mestre Pastinha foi um dos mestres de Capoeira que mais lançou mão de todos os recursos possíveis e mesmo os impossíveis, à um homem de sua classe social e origem étnica, numa defesa direta, objetiva das origens africanas da Capoeira, vindo a se tornar um dos maiores representantes da Capoeira Angola.
E como simbolo de nossa imensurável capacidade de mudar, de transformar o mundo a nossa volta, de superar as expectativas, o Mestre provavelmente surpreendeu a si mesmo. Mostrou na pratica como a dedicação, a luta, a vida de cada um de nós é tão importante e fundamental para a permanência de uma prática cultural, uma filosofia, um modo de viver.
Tive a oportunidade de ouvir de Mestre João Pequeno, Mestre Boca Rica, Mestre Fernando de Saubara, relatos semelhantes em que estes enquanto rapazes que treinavam com Mestre Pastinha, às vezes olhavam para o Mestre que vivia dizendo que um dia a Capoeira estaria no cinema, na literatura, nas universidades, no teatro...que ela ganharia o mundo...
De seus conselhos para que reduzissem suas horas de trabalho para se dedicar mais à Capoeira, pois ela lhes daria uma condição melhor no futuro. Que eles viveriam dela, que viveriam de sua arte.
Pensavam eles: "o Mestre está ficando doido...A policia correndo atras da gente na rua e ele acreditando nisso?!".
Mas era isso mesmo, Mestre Pastinha sonhou com o impossivel, desejou o impensável para a maioria das pessoas de sua época.
