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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Mestre Ras Iuri Capoeira Angola “Um simbolo de resistência em terras Indianas- EUA”

Mestre Iuri Hart Santos conhecido como mestre Ras Iuri é baiano de Salvador, nasceu e cresceu em Brotas,  bairro onde Mestre Pastinha ensinou por vários anos na década de 50. A Capoeira o encontrou nos meados da década de 80, quando seu Mestre Marrom e seu avô, Juvenal Almeida dos Santos que sempre conversavam sobre a Capoeira de Santo Amaro(Reconcavo Baiano), lugar onde seu   avô nasceu e cresceu. Numa dessas conversas, eles decediram que Capoeira iria lhe dar mais disciplina
."Eu me lembro que eu estava perdendo o interesse pelos estudos na época"(Mestre Ras Iuri).
 Mestre Marrom e Sizinio Sales, seu companheiro de treino e amigo de Bairro o levaram para o Forte Santo Antonio, hoje Forte Da Capoeira.  Desde o início ele pode conviver com personalidades importantes da capoeira na Bahia. Como Mestres Joao Pequeno, Boca Rica, Curió,  Caboré, Roberval, Gabriel e Moraes. Mestre Moraes na sala de cima, Mestre Joao Pequeno na sala de baixo. Seus treinos aconteciam na sala da frente no Grupo Filhos De Angola, que dividia a sala com o Mestre Boca Rica. Mestre Rosalvo e Mestre Laércio já tinham se mudado para a Alemanha e o grupo de Capoeira Filhos De Angola estava nas mãos de Mestre Gabriel, Wilson, Marrom mestre hoje, Valdec tambem já mestre, Augusto Tiuba, Sizinio e muitos outros Angoleiros de qualidade. 
Depois de dois anos ele  abandonou a Capoeira e quando resolveu voltar, seu Mestre já tinha fundado o Grupo De Capoeira Angola Do Acupe, lá na rua onde Morava, e onde seus pais ainda moram, a Rua Boulevard Copacabana.Lá  foi onde ele descobriu que capoeira era mais do que um hobby, mas sim a sua filosofia de vida e o que  queria fazer pelo resto da sua vida. Logo se tornou diretor da comissão de instrumentos, ajudou na criação da segunda orquestra de berimbau de Salvador , a primeira foi criada pelo GCAP(Grupo De Capoeira Angola Pelourinho).  
Na década de 90, seu mestre decidiu criar a ABCA – Associação Bahia de Capoerira Angola. Bateram na porta de muitos Mestres da velha guarda como Mestres Caicara, Gildo Alfinete, Diogo, Zé Do Lenço, Mario Bom Cabrito, Virgilio, Curió, Barba Branca, Pelé Da Bomba e outros.   Foram muitas as visitas a dona Maria Romélia, a famosa dona Nice, mulher do Mestre Pastinha. Com muita luta,  conseguiram uma casa no Centro Histórico(Pelourinho) que está lá até hoje.  Mestre Ras nos conta que essa foi  uma experiência difícil de explicar com palavras. Pura magia! 
A Capoeira desde o início lhe trouxe coisas maravilhosas. Por causa dela conheceu sua esposa, Linda Lewis, com quem é casado há 16 anos. Ela tinha ido no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, para aprender a arte em troca de Inglês. "Eu me convoquei a ensina-la e três meses depois estávamos casados"(Mestre Ras Iuri). Decidiu ir para Indiana-USA e foi graduado Contra-Mestre pelo grupo aqui no Brasil.  
Já nos Estados Unidos ,em 1998,  fundou três núcleos do Grupo Do Acupe no estado de Indiana(Bloomington, Indianapolis e Evansville). Continuava o trabalho deixado no Barsil. Fez vários intercambios trazendo seu  meu Mestre, Joao Pequeno em 2003,  e alunos do grupo.  honrando a capoeira angola e o ensinamento do seu mestre. Mas infelizmente em 2005, percorreram caminhos diferentes. 

 É  fundado então um novo grupo, Grupo De Capoeira Angola Estrela Do Norte. Agora com núcleos em Bloomington - Indiana, Indianapolis - Indiana, New Orleans - Louisiana, Vietnam, Portland - Oregon. Alguns desses são pequenos grupos de estudo da Capoeira Angola, mas provavelmente futuros núcleos. 
"Aqui sinto o quanto pude transformar a vida das pessoas com a capoeira. Tenho muito amigos e pessoas que me admiram". 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Contramestre Elias, um defensor da capoeira Angola no Litoral Paulista"

 Elias Silva de Freitas, natural da cidade de Santos, litoral de São Paulo. Filho de pai capoeirista, teve seus primeiros passos na capoeira ainda muito novo, na idade de 5 para 6 anos através de seu pai, que foi seu primeiro Mestre. As aulas com seu  pai, aconteciam em casa, de forma bem rústica e objetiva. Passado algum tempo, aos finais de semana seu pai passou a  leva-lo  junto com ele à Vicente de Carvalho no Guarujá, à casa de um senhor já com uma certa idade chamado Anastácio, capoeirista baiano e discípulo direto de Mestre Pastinha. Este  ensinava aos dois alguns movimentos e macetes de Capoeira Angola.Àquela época, não havia distinção entre Angola ou Regional, a capoeira era vista por um único prisma, visão esta que acabou por se tornar a característica maior da capoeiragem local. Os ensinamentos junto à Mestre Anastácio se estenderam por três anos aproximadamente até o mesmo, decidir retornar à sua terra natal, o que veio a ser interrompido no meio do caminho por conta de seu falecimento. Durante um certo período, Elias passou por alguns grupos locais até sua  primeira viagem à Salvador, onde pode se encontrar novamente com a Capoeira Mãe em sua plenitude, desta vez no Forte Santo Antônio, na Academia de João Pequeno de Pastinha-CECA. Lá, teve a honra e o privilégio de conhecer, estar, conversar e treinar com Mestre João pela primeira vez. Daquele momento em diante, continuou firme, na resistência. Passado um determinado período e tendo que retornar à sua minha cidade natal, Mestre João Pequeno lhe indicou alguns mestres que poderiam continuar lhe instruindo na arte, mestres estes pelos quais ele nos conta que passou  e adquiriu muito conhecimento. E assim, se inicia a trajetória desse grande divulgador e defensor da capoeira angola em terras caiçaras.
Confiram como foi o nosso bate papo:

NP-Quando se deu o seu primeiro contato com a capoeira?
Em meados de 86, através de meu pai e Mestre Anastácio de Pastinha.

NP- Como você vê o crescimento da capoeira angola nos tempos atuais e na baixada santista?
Hoje, a Capoeira Angola está em seu devido lugar de direito e respeito graças aos esforços de alguns Mestres entre estes, Mestre Moraes que foi um ferrenho militante pelo ressurgimento e revitalização da Capoeira Angola nas décadas de 80 e 90. Antes disso a Capoeira Angola estava prestes à se extinguir por conta da influência da Regional e do abandono e descaso aos Mestres mais antigos. Hoje, a Capoeira Angola está no mundo, na mídia, virou moda. De certa forma isso é bom porém, tem o lado ruim também. Toda a massificação desenfreada, traz junto consigo perda de qualidade e pior ainda, os aproveitadores da arte, os impostores. Ser angoleiro é uma coisa, o querer ser e vender um peixe que nunca foi seu por direito, é outra totalmente diferente. Infelizmente isso tem se tornado uma constante, tanto na na baixada santista como em outros lugares do Brasil e do mundo. Façamos uma breve analogia: Pode um professor de Karatê, de repente ensinar Kung-Fu e vice e versa sem antes, ter aprendido os ditames e propostas do outro estilo em questão?. É mais ou menos o que acontece com a Capoeira Angola hoje em dia. Ser angoleiro, é tornar-se antes de qualquer outra coisa, aluno/discípulo de um verdadeiro Mestre de Capoeira Angola reconhecido, aprendê-la, assimilá-la e por fim vivenciá-la. O ser angoleiro, depende destes estágios, quando se pula qualquer um deles, é enganação à quem ensina e à quem é ensinado.

NP- Você acredita que a capoeira pode ser usada como instrumento de transformação social?
Sim e temos alguns ótimos exemplos disso por aí afora. Cultura, quando ensinada de forma coerente, séria e responsável, torna-se um potencial instrumento de transformação social e principalmente de vidas e a Capoeira Angola, em sua forma mais ampla tem grande força de contribuição para isso.

NP- Conte para nós uma vivência de capoeira que você ache importante ter passado?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

"A mulher na roda, aqui também tem dendê"


"Mulher na roda

Não é pra enfeitar

Mulher na roda
É pra ensinar"

Com os versos da cantiga mulher na roda cantada por Carolina Soares, começamos nosso terceiro episódio da série: "A mulher na roda, aqui também tem dendê".A mulher vem conquistando muitos espaços em diferentes áreas na sociedade e não podia ser diferente na capoeira, muitas mulheres hoje são formadas, professoras, contramestra e mestra de capoeira, algumas inclusive são as responsáveis pelo seu grupo e treinam tanto quanto os homens para mostrar o seu valor nessa arte afro brasileira: a  capoeira.Muito se fala, a capoeira é de quem treina  e a mulher vem mostrando isso claramente a cada dia, conquistando mais e  mais espaços na capoeira.Juliana Dahmer é graduada corda laranja e roxa 12º estágio do grupo de Capoeira Raízes, prática a capoeira a 13 anos e sonha em um dia ministrar  aulas.


 NP- Qual seu nome, quando, com quem e porque você começou a treinar capoeira?

Meu nome é Juliana Dahmer, comecei a treinar capoeira com o Mestrando Brutus por influência de um primo que também começou com o Mestrando Brutus, na época eu tinha 5 anos de idade.

NP- Como você o papel da mulher na capoeira, já sofreu algum preconceito por treinar capoeira?
Já sofri preconceito sim, porém só serviu de motivação para que eu seguisse em frente o amor que tenho pelo esporte que pratico é mais alto que qualquer tipo de preconceito que possa existir.

NP- Você tem planos de uma dia trabalhar ministrando aulas de capoeira?
Com certeza, hoje estudo Educação Física por conta da capoeira, quero poder leva-la mais e mais para dentro das escolas, clubes, academias, mostrando o valor que está luta brasileira tem.

NP- Conte para nós um momento marcante dentro da capoeira?

Meu batizado, foi um momento em que eu realmente vi que a capoeira fazia parte de mim, a partir daquele momento tive a certeza de era o que queria pra minha vida

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

"Mestrando Brutus, uma página na história da capoeira de Colombo "

Carlos Eduardo de Andrade, conhecido como Brutus é praticante da capoeira a 21 anos e é mestrando do grupo de Capoeira Raízes do mestre Carvoeiro no paraná e  um dos representantes da capoeira de Colombo, ministra aulas para deficientes, em colégios e academias da região.Conheça um pouco do trabalho do nosso entrevistado.


NP-Conte-nos um pouco da sua trajetória, quando e com quem você iniciou na capoeira ?
Comecei a capoeira em 1993, na época com o mestre Besouro(Gilmar Gonçalves dos Santos), de Curitiba e por 7 anos eu treinei com ele, depois disso, comecei a trilhar meu próprio caminho, pois o mestre Besouro, havia parado de dar aula e praticar a capoeira, eu passei por vários grupos, até encontrar o mestre Carvoeiro(Luiz Henrique Araújo Mendes), onde eu consegui me achar e me sentir bem, ai criei minhas raízes com esse excepcional mestre.


NP-Como você enxerga o crescimento da capoeira aí na cidade Colombo no Paraná, e se ela difere das outras regiões do pais?
Na minha opinião, a capoeira é igual em todo o mundo, o que muda são as didáticas usadas na formação dos atletas, aqui em Colombo eu sou um dos mais antigos a ministrar aulas de capoeira, e acredito que contribui com o crescimento dessa nobre arte, e a capoeira vem ganhando seu espaço nessa cidade, como sabemos, os incentivos são bem poucos e temos que lutar muito pra conquistar o nosso espaço.

NP- Como você vê o papel do mestre de capoeira na sociedade?
A palavra mestre, tem muito peso, sabemos que um mestre é formador de opinião, e como tal, tem o dever de auxiliar na formação de bons cidadãos. Um mestre não ensina somente capoeira, ele ensina a ser cidadão.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A mulher na roda, aqui também tem dendê!

Dando continuidade na série a mulher na roda, aqui também tem dendê nossa segunda entrevistada é a Hozana Nunes Barbosa professora Chambinho de Maricá - Rio de Janeiro do grupo Iê Capoeira.
A professora



Chambinho é praticante da capoeira a 14 anos e atribui sua entrada no mundo a capoeira por ter sido muito moleca na infância.
Confiram aqui como foi nosso bate papo.


"Eu sou capoeira Jogo em qualquer lugar Trago no peito meu mestre E nas minhas mãos trago meu berimbau" Autor: Mestre Capa *Roda do M. Linguiça - Méier/RJ












NP- Conte um pouco como foi o seu início na capoeira ?
Minha iniciação na capoeira foi engraçado.
Sempre fui uma menina moleca. Gostava de jogar futebol, bolinha de gude, soltar cafifa e com isso, tinha muito mais amigos homens.. Todos eles ou grande parte davam salto mortal de qualquer tipo: palhaçinho, bolinha e um que mais gostava que era o "aranha" (aquele cujo o cidadão vem correndo pisa na parede e salta) e tinham aprendido na capoeira, então eu decidi: Vou fazer capoeira!
Numa quinta-feira fui assistir o treino que era em um brizolão perto da minha casa e no sábado lá estava eu treinando.
Hoje tenho exatos 14 anos de capoeira e não sei executar o bendito "salto mortal". Com o passar do tempo, fui me envolvendo e me encantando com a capoeira num todo.
Temos luta, dança, musicalidade, vivências e uma vastidão de conhecimento tudo em um só lugar.

NP- Nós vivememos em uma sociedade machista, você acredita que esse machismo patriarcal se estende até a capoeira, ou a capoeira é um universo igualitário para homens e mulheres?
A capoeira é um universo igualitário sim, tanto que temos muitas mulheres como referência na capoeira.
A mulher na capoeira não deixa a desejar para nenhum homem, ela toca, canta, participa. joga...
Mas acredito sim que tenha uma certa diferença. A mulher além de capoeirista é dona de casa, é mãe, é esposa, trabalha fora, muitas delas são chefes de família e ainda precisam arrumar tempo para ser mulher.
Parabéns para nós! Ser mulher não é pra quem quer é pra quem pode!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A mulher na roda, aqui também tem Dendê

Iniciamos essa série mostrando a importância e o valor da mulher na roda de capoeira.Nossa intenção é através desse projeto divulgar e mostrar o quanto é importante a participação da mulher no mundo da capoeira, rompendo as barreiras do preconceito .Nossa primeira entrevistada é do interior do Rio de Janeiro da cidade de Maricá.

Simone Guimarães Mello,
 Conhecida nas rodas de capoeira com Confusão, é instrutora de capoeira na Associação Iê Capoeira do mestre Mancha se formou no dia 10/11/2013 e desenvolve diversos projetos sociais.
Confira o bate papo realizado com ela:

1)NP- A quanto tempo você prática a capoeira e com quem começou a treinar?
Iniciei-me com o Mestre Díco da Associação de capoeira Filhos da Lua . Pratico a 14 anos

2)NP- Você sofreu algum preconceito no seu início como capoeirista por ser mulher?
No início foi meio complicado,minha mãe não aceitava por eu ter problemas no joelho,alguns amigos diziam q capoeira era coisa de marginal ,mais segui em frente e passei por cima de todos os obstáculos

3)NP- Na sua opinião você acredita que hoje a mulher é mais valorizada dentro da capoeira?
Sim! Acredito que hoje nos mulheres temos mais valores que antes nas rodas de capoeira

4)NP-Qual a importância da capoeira, como instrumento pedagógico?
A capoeira eleva muitos fatores,ela ajuda sobre trabalho em grupo,através das cantigas vc pode passar lições,ajuda na coordenação motora, criação de instrumentos reciclaveis